Startup mira saúde mental em corporações

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

05/07/2018 | 12h44    

Plataforma que conecta psicólogos a pacientes quer que empresas ofereçam terapia como benefício a funcionários

Tatiana Pimenta, sócia-fundadora da Vittude, investe em mercado B2B. Foto: Hélvio Romero/Estadão 

Tatiana Pimenta, sócia-fundadora da Vittude, investe em mercado B2B. Foto: Hélvio Romero/Estadão  Foto: Hélvio Romero/Estadão

Os impactos econômicos provocados por problemas de saúde mental são o impulso para o salto em direção ao universo corporativo da startup Vittude, plataforma fundada em 2016 e que conecta psicólogos a pessoas que desejam fazer terapia. A empresa, que contabiliza mais de 2 mil pacientes e cerca de 1,6 mil psicólogos cadastrados em 200 cidades brasileiras, lançou agora em junho uma solução B2B do negócio, para que organizações ofereçam tratamento preventivo de doenças mentais como benefício aos funcionários. 

Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2016 na revista científica The Lancet Psychiatry, indica que a cada US$ 1 investido no tratamento de transtornos mentais e comportamentais mais frequentes, como depressão e ansiedade, gera retorno de US$ 4 em melhoria na performance dos funcionários. 

Em âmbito nacional, o 1.º Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade de 2017 elaborado pela Secretaria de Previdência, mostra que a saúde mental é a terceira causa de incapacidade para o trabalho no País. Somente os afastamentos por ansiedade custaram R$ 1,3 bilhão em 2016 à Secretaria da Previdência.

“O movimento voltado à saúde mental dentro das corporações ainda é lento. Mas temos de começar a cutucá-los. Muitas empresas iniciam a conversa, mas alegam que não tem caixa para investir no benefício. Eu sempre provoco com a seguinte pergunta: vamos fazer as contas?”, diz a sócia-fundadora da Vittude, Tatiana Pimenta.

Ela argumenta que é preciso pesar o quanto se está pagando em absenteísmo e afastamentos. “A empresa não faz essa conta. Muitas vezes, coloca os custos na folha de pagamento e não percebe o quanto está pagando.” 

Para o segmento corporativo, a startup desenvolveu dois modelos de atuação. Um deles é a compra de créditos de terapia para o funcionário. “Esta opção é indicada quando a empresa pretende dar o benefício de forma segmentada, para apenas uma área. Por exemplo, em uma companhia aérea, faz mais sentido oferecer o benefício para a tripulação do que para a equipe de solo, pois são exposições de riscos diferentes”, diz Tatiana. 

A outra opção é similar ao plano de saúde oferecido no modelo de coparticipação. “A empresa paga um valor por colaborador e quem usar o benefício paga um porcentual da consulta. Sempre propomos para as empresas arcarem com, pelo menos, 50% do valor”, diz. 

A média de preço de consultas dos psicólogos cadastrados na plataforma é de R$ 150. Duas companhias já fecharam contrato com a startup, sendo que uma delas é a HP. 

Terapia virtual. A vantagem competitiva da Vittude é a criação do “consultório virtual” dentro da plataforma, possibilitando atendimento remoto e online. “Em nosso modelo voltado ao usuário, temos grande número de expatriados que fazem terapia online”, conta. 

“O usuário recebe um link para acessar a plataforma e, quando a sessão de terapia acaba, nada fica gravado. Assim, garantimos o sigilo do paciente. É uma opção interessante para colaboradores que atuam fora do País ou mesmo para empresas que estão localizadas em regiões com poucos profissionais da área”, acrescenta. 

Resolução do Conselho Federal de Psicologia permite atendimentos online. “As plataformas e ferramentas utilizadas devem ter a máxima garantia tecnológica de inviolabilidade das informações”, afirma a conselheira do Conselho Federal de Psicologia, Rosane Granzotto. “É recomendado que haja a explicitação e assinatura de termo de corresponsabilidade do usuário”, acrescenta.