Setor reduz expectativa de crescimento no ano

Raul Galhardi, especial para - O Estado de S.Paulo

23/06/2018 | 19h49   

Áreas de serviços e comércio buscam caminhos para crescer em meio a cenário incerto

No primeiro trimestre deste ano, área apresentou desempenho modesto. Foto: Felipe Rau/Estadão

No primeiro trimestre deste ano, área apresentou desempenho modesto. Foto: Felipe Rau/Estadão Foto: Felipe Rau/Estadão

O segmento da construção, que historicamente sofre abalos em períodos de turbulência econômica, tem conseguido alcançar bons resultados nos últimos anos. Segundo informações da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor cresceu seu faturamento em 8% de 2016 a 2017 e 5,9% em número de unidades de franquias. No primeiro trimestre deste ano, porém, a área apresentou um desempenho mais modesto tanto em arrecadação (alta de 2,2%) como em quantidade de unidades (2,1%). 

André Friedheim, vice-presidente da ABF, afirma que crises podem ser boas ou ruins de acordo com cada área, embora reflita diretamente no setor. O que ocorre nestas épocas conturbadas normalmente é um aumento no segmento de reformas e manutenção e uma estagnação ou queda nas vendas de produtos e de novos lançamentos imobiliários. 

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Para Filipe Sisson, fundador da iGUi, líder nacional do mercado de piscinas e uma das 50 maiores franquias do Brasil de acordo com lista da ABF, o mercado está numa curva de inflexão e o que tinha para cair “já está no fundo do poço”. 

Atualmente, a franquia paralisou as obras de uma fábrica no Ceará aguardando a conclusão do cenário turbulento. Segundo o empresário, 2018 será um ano difícil, mas a tendência será crescer após o final do ano. A empresa, atualmente presente em mais de 40 países, pretende inaugurar sua primeira fábrica nos Estados Unidos no próximo ano. 

Um empreendimento que tem aproveitado este momento e irá lançar seu modelo de franquias na feira da ABF é a Le Biscuit, tradicional marca varejista de variedades que completa 50 anos em 2018, com presença nas regiões Norte e Nordeste e que vem crescendo no Sudeste. 

“Apresentamos uma boa performance nos últimos três anos e temos conseguido transitar bem no cenário de consumo com resiliência. Nos preparamos e realizamos investimentos em tecnologia, operação e gestão”, afirma Roberto Hentzy, presidente da empresa. De acordo com Hentzy, o modelo de franquias possibilita novos caminhos de crescimento em escala. 

Venda. Um setor da construção que parece estar começando a reagir também é o de imobiliárias, que tem sofrido bastante nos últimos anos. É o que defende a consultora Ana Vecchi, para quem há espaços para melhorias também no setor de serviços. “A clientela se queixa muito dos mesmos problemas: mau atendimento, falta de acompanhamento. Não acho que só a crise prejudicou este setor”. 

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Para ela, o segmento de serviços, embora normalmente exija um investimento menor e possibilite um retorno do investimento mais rápido, pressupõe uma melhor gerência em relação ao processo. 

Já o comércio requer investimentos maiores, mas com um bom “mix” de produtos, excelente exposição de marca e gestão, pode-se alcançar bons resultados. “Tudo isso depende também da negociação feita e do custo de ocupação”, afirma Ana Vecchi.

Possibilidades. Depois de anos de retração, a área de construção ensaia uma retomada econômica nos próximos meses. Era para estar melhor, mas a incerteza política segurou essa expansão. Os empresários do ramo têm possibilidade de parcerias com outros setores, como seguradoras, por exemplo, e desenvolvimento de fornecedores pela franqueadora

Funcionário. O desafio fica, claro, com os altos e baixos da economia e, sobretudo, com a mão de obra. É difícil encontrar colaboradores. É preciso investir em qualificação, desembolsar com a retenção do trabalhador e desenvolver uma política atraente e competitiva de remuneração