Setor de franquias prevê crescimento moderado

O Estado de S.Paulo

30/11/2017 | 05h00    

Receita de franqueados deve aumentar de 8% a 10% no próximo ano, conforme projeção da ABF

A Associação Brasileira de Franchising (ABF) projeta um crescimento moderado do setor para o ano que vem. Em relação a 2017, a previsão é de aumento de 5% a 6% em novas unidades – atualmente, são 147.539 lojas no Brasil – e de 8% a 10% na receita. “A economia ter baixado as taxas de juros e a injeção do dinheiro da liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ajudam. Quem tem dinheiro está reavaliando entre deixá-lo no banco e investi-lo na economia, por exemplo, com uma franquia, para colher frutos”, explica Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

O presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Altino Cristofoleti Junior, projeta aumento de 5% a 6% em novas unidades no próximo ano

O presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Altino Cristofoleti Junior, projeta aumento de 5% a 6% em novas unidades no próximo ano Foto: Keiny Andrade/Divulgação

A área de alimentação, com 20% das franquias no Brasil em 2016, lidera o faturamento. Dados da ABF apontam que, no terceiro trimestre de 2017, esse segmento movimentou em torno de R$ 10,9 bilhões, um aumento de 6 % em relação ao mesmo período de 2016 (cerca de R$ 10,2 bilhões). O administrador de empresas Emerson Sérgio, de 43 anos, está entre os que investiram nessa área: abriu a sua primeira franquia da Jin Jin Wok (culinária asiática) em 2009, no Iguatemi Campinas, shopping no interior de São Paulo. No ano passado, inaugurou uma segunda unidade, no Plaza Shopping Itu. “O setor de alimentação é o último a sentir o impacto (da crise) e o primeiro a se recuperar. Todo mundo deixa de trocar de carro ou de comprar roupa para comer”, diz. “Mas tivemos de nos remodelar, nos adequar ao mercado, reduzir funcionários.”

Apesar de certo otimismo para 2018, Amnon Armoni, coordenador do MBA Estratégico em Negócios da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), alerta para os cuidados com investimentos em franquias. “Saímos daquele círculo negativo, para começar a pensar em ir para frente. Os indicadores são positivos. Só não se pode superprojetar nada. O negócio tem de ser visto sem paixão, tem de dar retorno. O amor pela gastronomia não faz um restaurante ter sucesso”, afirma Armoni.

E completa: “Nenhum negócio vai para a frente se você não for realista. É saber projetar o quanto vai vender, ter mercado para o que você pretende fazer, ter preço compatível. Sempre ter um fôlego (reserva financeira). Tem de considerar que um negócio leva tempo. O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) pode ajudar com esse planejamento”. Um dos pontos que devem ser analisados pelo futuro empresário é o do investimento, pois a amplitude de valores para se abrir uma franquia é muito grande.

Para Marcus Rizzo, consultor e proprietário da Rizzo Franchise, pontos positivos também apareceram com a dificuldade dos últimos anos. “A crise purificou várias redes, limpou muitos negócios que não tinham a menor possibilidade de acontecer. Estávamos num oba-oba de abertura de franquias.

Interiorização. Outro dado que mostra o movimento positivo do segmento de franquias no País refere-se à interiorização das redes, que devem atingir 50% dos municípios brasileiros no próximo ano. Atualmente, de acordo com informações da Associação Brasileira de Franchising (ABF), 45% cidades do País têm, pelo menos, uma loja de alguma rede franqueada.

“É uma tendência que deve seguir para o ano que vem: cada vez mais cidades brasileiras recebendo uma franquia de uma marca. Esse movimento vai continuar acelerado”, diz Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

Dados relativos ao primeiro semestre deste ano mostram que São Paulo é a cidade com maior número de unidades (11.132), seguido de Rio de Janeiro (5.719) e Brasília (2.123).

“Novos franqueados entrarão no sistema, e quem já está deve abrir a segunda, a terceira unidade no ano que vem. É um movimento importante do franchising. As marcas começam demonstrar um certo ânimo para 2018”, acrescenta Cristofoletti.