'O grande desafio é manter o aplicativo ativo no celular'

Letícia Ginak, especial para - O Estado de S.Paulo

31/01/2018 | 10h22   

Pedro Guasti, presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecomércio-SP e CEO da Ebit, apresenta os desafios para o varejo trazidos pela tecnologia

Pedro Guasti, CEO da Ebit e presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecormercio-SP. FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

Pedro Guasti, CEO da Ebit e presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecormercio-SP. FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO Foto: TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

Criar um aplicativo é só um primeiro passo para a entrada de uma empresa nos mundo das vendas por dispositivos móveis. Para Pedro Guasti, presidente da Ebit, empresa que reúne informações sobre comércio eletrônico, a estratégia comercial por trás do app precisa ser clara, pois o cliente só comprará caso veja uma vantagem clara trazida pela tecnologia. 

Leia os principais trechos da entrevista:

A integração de canais de venda realmente se consolida como tendência? 

Essa tendência de integrar os canais, o omnichannel traz desafios, mas também uma série de oportunidades para quem quer sair na frente. A primeira necessidade que uma empresa tradicional tem é a de digitalizar as informações para buscar reconhecer seu consumidor nos diversos canais. Uma vez que ela conseguir um estágio de maturidade de investimento para poder monitorar tecnologicamente e oferecer ao consumidor, por meio de aplicativos, uma experiência completa, ela tem muito a ganhar.

Quais são as vantagens desse processo de implementação? 

Você pode oferecer ao consumidor desde coisas mais simples, como o clique e retire, até adicionar ao aplicativo um localizador de lojas, que permite o reconhecimento do consumidor quando ele entra em uma loja física e pode, então, oferecer uma oferta. É possível também cruzar os canais com o consumidor que acessou a loja online e abandonou o carrinho de compra e que, por coincidência, está de passagem por um shopping onde existe uma loja física. 

Qual é o desafio dos pequenos empresários nessa área?

O grande desafio não é somente fazer o consumidor instalar o aplicativo, mas fazer com que ele o mantenha ativo. Tem de dar a ele uma vantagem comercial que não existe na página web ou na loja física. Além disso, outro desafio é fazer com que o consumidor não desinstale esse app. A média dos smartphones no Brasil tem memória e processamento baixos. As pessoas precisam escolher quais aplicativos vão manter, por isso o app deve ter relevância. Não acredito que uma pessoa vá ter mais do que quatro aplicativos de e-commerce. Vai escolher um ou dois, como hoje escolhe um de banco, um para comunicação.

Como o pequeno e o médio pode começar a desenvolver o multicanal?

O conceito de clica e retira pode ser implementado não só no aplicativo, mas também na página web. Pelo aplicativo é mais fácil implementar por questões de geolocalização. Esse tipo de solução é o que traz resultado relativamente bom e tem custo muito baixo.

O cliente brasileiro acompanha essa nova forma de consumir? 

Uma pesquisa que fizemos na Ebit mostrou que, em dezembro de 2017, 32% das transações de compra foram feitas por meio de dispositivos móveis, aplicativo ou site. Ou seja, um terço dos consumidores. Temos cerca de 150 milhões, 160 milhões de pessoas com smartphones, o que nos dá 95% da população com acesso a 3G ou 4G nas cidades. Esse cenário facilita muito para que essa tecnologia móvel faça com que as pessoas, muitas vezes sem acesso a computador ou a banda larga fixa, usem como único meio de acesso o smartphone. Com tudo isso, temos um ambiente muito favorável.