"O empresário não cria um negócio para ser um unicórnio", diz diretor do Cubo Itaú

Vanderson Pimentel - Especial para - O Estado de S. Paulo

29/08/2018 | 05h10    

Diretor do hub de empreendedorismo paulistano fala sobre o atual momento das startups nacionais

Flavio Pripas, diretor geral do espaço de coworking Cubo Itaú - Crédito: SM2 Fotografia

Flavio Pripas, diretor geral do espaço de coworking Cubo Itaú - Crédito: SM2 Fotografia Foto: SM2 Fotografia

O termo unicórnio ganhou fama no empreendedorismo em 2013, quando a empresária norte-americana Aileen Lee chamou as startups avaliadas em US$ 1 bilhão de "extremamente raras e impressionantes". Mas só em 2018, o Brasil ganhou seus três primeiros espécimes, após os investimentos feitos nas companhias 99, PagSeguro e Nubank.

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Flavio Pripas, diretor-geral do Cubo Itaú, não acha que a motivação principal do empreendedor é ‘criar’ um unicórnio para vendê-lo. Entretanto, ele vê espaço para que novas empresas do tipo apareçam no País.

Responsável pelo hub que atualmente conta com 65 startups residentes e que já faturaram cerca de R$ 230 milhões apenas neste ano, Pripas vê os unicórnios como "consequência" e acredita que o Brasil entra de vez no radar do mercado internacional. Leia a seguir os trechos da entrevista.

Você enxerga alguma oportunidade ainda não explorada nesse ambiente de startups no Brasil atualmente?

Por definição, o empreendedor identifica o problema e o resolve no mundo real. Na minha opinião, sempre haverá problemas, e também haverá oportunidades (para empreender). O cenário sempre vai ser fértil para o empreendedor criar seu negocio, mas o difícil é a execução.

Ser um unicórnio se tornou um objetivo das startups? 

Eu não acho que um empreendedor cria um negócio para ser unicórnio. É uma consequência. Ele cria uma solução efetiva e a empresa cresce muito rápido. É uma decorrência e é bacana porque o Brasil passou a mostrar para o mercado internacional que existem unicórnios. O País também tem empresas de classe mundial e isso mostra maturidade.

Quais são os desafios de entrar nesta jornada do unicórnio, por exemplo? 

O objetivo é causar um impacto, mas há uma dificuldade. Muita gente me pergunta o que as empresas fazem que dão errado ou que fazem que dão certo. Às vezes, é a execução, uma dificuldade de ‘timing’, uma dificuldade de legislação, tudo é uma dificuldade. O que eu falo que diferencia os empresários é o foco. Tentar identificar um problema e resolver esse único problema da melhor maneira possível. Por mais que pareça simples, é muito rico. Se não der certo, você parte para uma outra solução.

Como você avalia o ambiente de tecnologia e empreendedorismo no País?

Toda a tecnologia está disponível no Brasil também. Tem um fato que o Brasil não é um criador, mas o empreendedor daqui aplica melhor que muita gente no mundo inteiro e somos classe mundial nisso. E isso é refletido no ecossistema de startups. No Cubo elas estão aplicando e isso está dando resultado.

Durante estes anos de Cubo Itaú, o que mais evoluiu e quais ainda são os principais desafios a dos empreendedores?

Foi a abertura das empresas grandes em trabalhar com startups. Tivemos uma atuação importante disso, muitos falaram de transformação digital e fomos protagonistas nisso. Isso fez o mercado girar rápido, as startups criaram novos produtos e as empresas se agilizaram. Também teve startups que começaram na garagem e outras que conseguiram se internacionalizar, esse é um processo que não se via no Brasil. Aqui temos vocação de aplicar tecnologia, e temos potencial de fazer empresas líderes globais. Será que aquele negócio criado vai dar certo? Ninguém tem bola de cristal. Se a gente falar só de algum dos pontos, pode até ser verdade, mas isso é difícil no mundo inteiro. A ideia é colocar alguns pontos de controle para que o empreendedor vença as adversidades.

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