Novo serviço de compartilhamento de São Paulo terá carros elétricos

Lucas Baldez, especial para o Estado de S. Paulo - O Estado de S.Paulo

19/06/2017 | 13h36    

Urbano LDSharing terá, inicialmente, 15 BMW i3 movidos totalmente a eletricidade para competir com a Zazcar, outra empresa de compartilhamento

Leonardo Domingos, fundador e CEO da LDS Group, em um dos carros elétricos que farão parte do serviço de compartilhamento

Leonardo Domingos, fundador e CEO da LDS Group, em um dos carros elétricos que farão parte do serviço de compartilhamento Foto: Alê Santos e Diego Nata / LDS Group

A cidade de São Paulo vai ganhar, em julho, mais um serviço de compartilhamento de carros, quando o LDS Group lançará um aplicativo para esse tipo de uso. O serviço vai funcionar nos moldes do compartilhamento de bicicletas, do Banco Itaú, e de carros como o já oferecido pela Zazcar. A diferença é que parte da frota será de carros elétricos. O fundador e CEO do grupo, Leonardo Domingos, diz  que o Urbano LDSharing terá, inicialmente, 15 BMW i3 movidos totalmente a eletricidade, além de outros 45 Smart Fortwo, da Mercedes, convencionais, com motor a combustão. Todos com seguro.

Domingos diz que foram investidos R$ 6 milhões para iniciar o projeto. Agora, ele pretende captar mais mais R$ 25 milhões até dezembro para expandir o serviço e ter de 100 a 120 automóveis em operação.  O projeto está alinhado ao conceito de mobilidade inteligente via economia compartilhada, oferecendo aos clientes a possibilidade de deslocamento por diferentes pontos da cidade. A taxa cobrada por corrida será de R$ 29,00 por até 20 minutos (uma média de R$ 1,45 por minuto). Ultrapassando este tempo, o usuário pagará R$ 1,20/minuto na primeira hora, R$ 1,10/minuto na segunda e assim sucessivamente até chegar a R$ 0,60/minuto. Também será possível fechar o pacote mensal de R$ 89,00 que dará direito a 74 minutos fracionados. Após este limite, será aplicada a mesma regra de cobrança do usuário comum.

“A intenção é incentivar o uso do carro no percurso de casa para o trabalho, mas nada impede que o cliente utilize o serviço a passeio”, afirma o CEO. As operações começarão no dia 9 de julho, mas o aplicativo já estará disponível para download a partir do dia 1º no site www.urbano.eco.br.

Neste primeiro momento, haverá entre 35 e 40 pontos de retirada e entrega, as home zones, que ficarão espalhadas por bairros nobres da cidade, como Jardins, Itaim Bibi, Moema, Vila Nova Conceição, Vila Olimpia e Vila Madalena. “Este é um formato para impulsionar a utilização do carro compartilhado para pessoas que vivem em bairros pouco afastados. No futuro, o nosso interesse é diminuir cada vez mais o preço da minutagem para longas distâncias”, afirma Domingos.

As home zones foram determinadas por meio de parcerias com concessionárias, postos de gasolina e shoppings centers. Segundo o CEO, a Prefeitura de São Paulo também está disposta a apoiar a iniciativa, cedendo espaços para estacionamento. “Já existe uma legislação para empresas de carros compartilhados. E a Prefeitura quer evitar em até um e dois anos a entrada de carros a combustão no Centro da cidade. Quer estimular o uso de carros elétricos e compartilhados”. Domingos garante que “não somente os elétricos, mas todos os carros estão livres do sistema de rodízio" de São Paulo.

Algumas das home zones serão também pontos de recarga. Os clientes não precisarão pagar por este serviço, mas, de acordo com o CEO, aqueles que recarregarem o carro podem ganhar desconto em corridas. O executivo diz que o objetivo da empresa é ter quatro carros a cada km² em um futuro próximo. “Nosso sonho é a pessoa ir daqui até Campinas, e isso não está longe de acontecer. Está dentro do plano de smart city. Estamos tentando sair na frente."

Tecnologia francesa. Para concretizar o serviço, a LDS Group desenvolveu o produto por meio de uma parceria com a empresa francesa Vulog, fornecedora de tecnologia de compartilhamento de serviços. Todos os carros possuem hardwares instalados, capazes de transmitir à central a telemetria do veículo, a localização, a velocidade e informações sobre a condução do motorista. Os veículos também possuem um sensor no parabrisa para início e finalização da corrida, por meio de um cartão que os clientes receberão. A Vulog já está presente nas cidades de Madri (Espanha), Copenhague (Dinamarca), Vancouver e Montreal (Canadá).

Na França, o serviço de compartilhamento de carros elétricos existe desde 2011, promovido pela empresa Autolib. Atualmente, são 4.000 automóveis que rodam por 82 cidades francesas. A empresa estima que há 36.361 carros particulares a menos em circulação em função do serviço.  No Brasil, a cidade de Fortaleza, no Ceará, implantou em setembro do ano passado o sistema público de carros elétricos compartilhados. Promovido pela Prefeitura em parceria com a empresa Serttel, o projeto é chamado de Veículos Alternativos para Mobilidade (Vamo).