Momento é bom para viagem doméstica

Raul Galhardi, especial para - O Estado de S.Paulo

23/06/2018 | 19h11   

Para especialista, brasileiro criou o hábito de viajar durante as férias, mesmo com dinheiro curto

Viagens dentro do País são possibilidade para negócios. Foto: Fabio Motta/Estadão 

Viagens dentro do País são possibilidade para negócios. Foto: Fabio Motta/Estadão  Foto: Foto: Fabio Motta/Estadão

Se os tempos de bonança do Brasil deixaram uma herança no brasileiro foi o hábito de viajar. Segundo planejadores financeiros, mesmo endividada, a classe média não abre mão de umas férias no meio ou no final do ano. “Ele (<CF742>o brasileiro</CF>) pode estar sem dinheiro para pagar as contas, mas sempre pede para se encontrar uma forma de viajar”, diz a especialista Eliana Tanabe, da Planejar.

Isso explicaria como o setor, em um momento em que o consumo está baixo, registrou aumento de 14,9% de faturamento e 4,9% no número de unidades franqueadas no primeiro trimestre de 2018, o que coloca a área de turismo como aquela que mais cresceu em relação ao mesmo período do ano passado. 

:: Moda integra físico ao online :: 

:: Rede explora tendência de uso da tecnologia ::

:: Especialização corta custos do consumidor :: 

Entre os anos de 2016 e 2017, o setor de turismo e hotelaria apresentou a maior variação positiva em número de unidades (17,6%) e a segunda maior em faturamento (9,7%), atrás apenas do setor de saúde, beleza e bem-estar, segundo dados da ABF. 

A crise econômica e a situação política do País também têm estimulado o setor ligado à educação no exterior. Segundo Luiz Filipe Fortunato, diretor de Vendas da CI Intercâmbio, “a procura tem sido maior durante o período de crise. A situação do País, a dificuldade do acesso ao ensino público e o alto custo e baixa qualidade do ensino privado tem estimulado as pessoas a estudar fora”, diz. Os cursos de idiomas, principalmente inglês, representam o maior volume de vendas da companhia. 

:: Delivery e gourmet são os destaques :: 

:: Restrição de renda estimula consertos ::

:: Recessão fortalece marcas tradicionais :: 

O perfil do consumidor desses serviços, segundo as empresas, são pessoas das classes A e B, executivos e profissionais em busca de qualificação. Os serviços, no entanto, estão se tornando acessíveis também para o consumidor da classe C. 

Estrangeiro. Além da crise, a Copa do Mundo e os jogos olímpicos realizados no País trouxeram maior visibilidade para o mercado interno. “A realização de grandes eventos refletem a médio e longo prazo no turismo”, afirma Antonio Bonfato, professor do curso de Tecnologia em Hotelaria, do Centro Universitário Senac. Os gastos de turistas estrangeiros já cresceram 18% em janeiro deste ano, segundo o Ministério do Turismo.

Caiu no gosto. O investidor pode se beneficiar de um serviço que efetivamente caiu no gosto da classe média, mas a crise tende a afetar, sim, o volume de vendas no segmento.

Concorrência. Atenção à baixa barreira de entrada. Em tese, não se pede especialização para o empresário do ramo, o que aumenta a competição.