Feira Mega Artesanal atrai empreendedores que querem ganhar dinheiro com artes manuais

Alessandro Lucchetti - Especial para o Estadão

12/06/2017 | 13h19    

Repleto de cursos gratuitos oferecidos pela indústria, evento, que será aberto ao público no dia 12 de julho, chama a atenção de diversos perfis de público

Rita Mazzotti, organizadora da feira Mega Artesanal

Rita Mazzotti, organizadora da feira Mega Artesanal Foto: Julia Mazzotti/WR São Paulo

A Mega Artesanal não começou tão grande como indica o nome. Em 2003, o Centro de Eventos São Luís, um espaço de 2 mil metros quadrados nos arredores da Avenida Paulista, recebeu apenas 28 expositores. No dia 11 de julho, a São Paulo Expo, espaço com 33 mil metros quadrados, abrirá com 340 expositores. Nesse primeiro dia, o evento será exclusivo para lojistas e imprensa. A partir do dia seguinte (12/07), será recebido o público em geral. 

Segundo Rita Mazzotti, diretora da WR São Paulo, empresa que organiza a feira, o artesanato é a aposta de muita gente que deixou um posto de trabalho formal na esteira da crise. "Não temos números oficiais, mas visualmente percebemos, no ano passado, um grande aumento no número de homens frequentando a feira, e acho que esse afluxo masculino se deve ao momento que o País atravessa".

A diretora do evento salienta que foram formadas caravanas em cidades do interior e até em outros estados para visitar a feira. "Vem muita gente focada em empreender, interessada em adquirir máquinas e materiais".

O grande chamariz da feira, segundo Rita, são os cursos, em grande parte gratuitos, oferecidos pela indústria de tecidos, aviamentos, tintas e pinceis, interessada em disseminar as técnicas artesanais para fomento do consumo de seus produtos.

A feira foi-se ampliando ao longo dos anos alimentada pelo desenvolvimento de tendências como a redescoberta do corte e costura. "Hoje há muitos cursos de moda, há muita gente voltada para o reaproveitamento e reúso de materiais. Além disso, o brasileiro gosta de ter roupas, adereços e itens de decoração exclusivos. É um povo que gosta de fazer coisas. Quando é você mesmo que faz, você tem um produto exclusivo".

Outro movimento em voga é o crescimento do número de empreendedores que investem em realização de festas. "As pessoas estruturam empresas que querem oferecer todo o serviço, incluindo a decoração, e vão à feira para aprender como fazer".

Apaixonada pelo artesanato, Rita aponta outros fatores que explicam o crescimento da feira mesmo num contexto de crise. "É uma atividade que você pode desenvolver dentro de casa, com pouco dinheiro. Há também muitos idosos que preenchem períodos ociosos com essa atividade, gente que percebe o valor terapêutico de um trabalho manual".

Para quem esteja interessado em empreender aproveitando alguma habilidade manual, Rita sugere, num primeiro momento, que sejam bem identificadas as habilidades e preferências. "Você pode ter jeito para pintar, para serrar madeiras, para trabalhar com machetaria. É preciso saber no que você é bom".

Outra dica repassada por Rita: faça cursos. "Você pode achar que sabe fazer algo e não saber de fato. Pode ser um curso presencial ou online, mas é necessário identificar, com orientação, quais materiais devem ser empregados. Utilizando materiais inadequados, perde-se dinheiro e motivação".

Antes mesmo de aberta a edição 2017, a diretora do evento já fala sobre a de 2018. "Queremos ampliar segmentos que crescem, como o de corte costura e o de bricolagem. Esse nome, aliás, não pega no Brasil. A gente prefere chamar de 'faça você mesmo'. É essa coisa de reaproveitar materiais, trabalhar numa mesa velha e transformá-la". 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.