Empresário expandiu rede mesmo na crise

O Estado de S.Paulo

30/11/2017 | 05h00    

Dificuldade na economia do País foi vista como possibilidade de crescer: marca abriu 15 lojas neste ano e planeja 30 para 2018

Otimismo foi a palavra de ordem do empresário Antonio Carlos Viegas no fim de 2016, quando as previsões para o ano seguinte ainda não eram animadoras. Um ano depois, ele está dobrando a aposta: planeja abrir 30 unidades franqueadas da Moldura Minuto em 2018, sua rede de emolduramento rápido, após ter inaugurado 15 lojas neste ano. Já para a Artshot, uma rede de galerias de foto, a meta é expandir de quatro para 15 unidades.

Antonio Carlos Viegas, dono da rede Moldura Minuto: 'O cenário de 2018 é com certeza muito favorável'

Antonio Carlos Viegas, dono da rede Moldura Minuto: 'O cenário de 2018 é com certeza muito favorável' Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO

Para quem é dono de redes de franchising, a crise econômica foi encarada como uma oportunidade para crescer. Profissionais em cargos de gerência que acabaram demitidos em cortes de custos durante a recessão viram na franquia uma opção mais segura do que abrir um negócio independente, segundo Viegas. “Eu considero que, numa situação ideal, o franqueador tem de se preocupar em posicionar a empresa para os próximos cinco anos, enquanto o franqueado tem de pensar em um ano”, explica. 

Pensando nisso, o empresário criou opções para atrair mais franqueados. O Moldura Minuto Express, lançado neste ano, requer menos da metade do investimento em relação a uma loja convencional da rede: exige a partir de R$ 110 mil para quem abre a loja, enquanto as unidades tradicionais costumam custar em torno de R$ 250 mil. “O objetivo desse negócio era baixar o investimento, mas manter a margem de lucratividade”, afirma Viegas.

A estrutura do Express é menor, voltada para áreas de serviço de hipermercados, shoppings e cidades com menos de 150 mil habitantes. Já uma unidade da galeria Artshot requer investimento de aproximadamente R$ 600 mil, de acordo com o empresário.

“O cenário de 2018 com certeza é extremamente favorável”, ele diz. Segundo Viegas, muitos profissionais que ainda tentavam arranjar posicionamento no mercado de trabalho até os últimos meses do ano desistiram de procurar emprego recentemente e optaram por abrir uma franquia. “Ainda existe o rescaldo disso, das pessoas que tinham esperança, mas estão se dando conta que agora, mesmo que a economia volte a crescer, não vai aquecer tanto assim. Muitos dos cargos que existiam simplesmente vão sumir.”

Para ele, a estratégia de enxugar custos na empresa e aumentar o investimento foi a mais adequada para lidar com a crise. Agora, além da expansão agressiva que projeta para 2018, Viegas fala em transformar profundamente seu modelo de negócio por meio do uso da tecnologia, mas não explica abertamente como pretende fazer isso. “Já faz seis meses que estamos com uma consultoria na empresa com o objetivo de criar mais ferramentas para o cliente”, conta, sem revelar muitos detalhes sobre as novidades que, segundo ele, ainda estão em teste. “Em dez meses, estará no mercado”, promete.