Empreendedores exploram potencial 'gourmet' do café

Letícia Ginak - O Estado de S.Paulo

24/05/2018 | 10h06    

Nicho das 'coffee shops' ainda é incipiente; empresas do ramo apostam no interesse do público jovem

Familiar. Donos da Nano Cafés: espaço colaborativo. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Familiar. Donos da Nano Cafés: espaço colaborativo. Foto: Daniel Teixeira/Estadão Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Empreendedores descobriram o potencial dos ingredientes nacionais, transformando-os no pilar de seus negócios. Um exemplo é o café. Bebida indispensável na mesa do brasileiro, o café deixou de ser visto apenas com uma commodity e virou negócio promissor para pequenos empresários interessados em explorar o potencial "gourmet" do grão.

Além de microtorrefadores voltados à produção de cafés de alta qualidade – com custo cinco vezes superior ao cobrado pelas variedades tradicionais –, aumenta também o número de cafeterias que trabalham apenas com grãos especiais e preparos diferenciados.

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De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), o consumo do grão comum deve atingir 1,2 milhão de toneladas até 2021 no País, com alta anual de 3,5% para o período projetado (2016 a 2021).

O estudo aponta como fatores responsáveis pela tendência os "posicionamentos alternativos de produtores e consumidores" e "o ambiente descolado dos coffee shops." A entidade estima que entre 5 e 10% do consumo nacional seja atendido por cafés do tipo gourmet.

O escoamento da produção ocorre em varejos focados no produto. "O Sebrae acompanha 18 novos projetos de cafeterias de grãos especiais no Estado de São Paulo. O segmento está em alta e o movimento é irreversível", diz o consultor do Sebrae-SP Cláudio D’Angieri Filho.

Origem. Para o consultor, a tendência tem origem no campo, com a mudança de foco de pequenos produtores de café para o mercado gourmet da bebida. "O pequeno produtor não tem como competir com o grande. A saca do café comum custa, em média, R$ 450. Para o café especial, o preço médio por saca atinge R$ 750", compara.

Além da mudança de mercado, o pequeno produtor também abriu canais de comercialização do grão, vendendo com exclusividade e de forma direta para as cafeterias.

Nicho. Ainda que o setor seja promissor, os empreendedores ressalvam o mercado de cafés especiais ainda é incipiente e apostam no público mais jovem para consolidar as vendas.

"O sucesso do café especial vem com a geração mais nova, que praticamente nasce consumindo este produto", avalia o fundador da cafeteria Isso é Café, Felipe Croce, a quinta geração da família a trabalhar com grãos especiais do produto.

A Isso é Café surgiu em 2015 e vende hoje 25 quilos de café por semana. O fluxo de clientes gira em torno de 150 em dias úteis e atinge 250 aos finais de semana. O investimento inicial do negócio foi de R$ 120 mil.

Também em 2015, o casal designers Robinson Kimura e Lívia Scudeller criou a Nano Cafés Especiais. O negócio começou como um food truck e atualmente está em um espaço físico, dentro de uma loja colaborativa. "Já trabalhamos com a carreta estacionada, rodamos e fizemos eventos. Conseguimos com um mesmo negócio encontrar diferentes mercados. O cliente de café é fiel", diz Lívia.

A Nano Cafés vende cerca de 20 quilos de café por mês. Para Kimura, o modelo de negócio atualmente se sustenta devido à instalação em um espaço colaborativo e ao aluguel do equipamento. "Uma máquina de café expresso custa entre R$ 50 mil e R$ 70 mil. Alugo uma destas por R$ 500 ao mês, sem custos com manutenção", conta. O valor de investimento inicial no negócio, conta o empreendedor, foi de R$ 30 mil.

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