Difusão da cultura cervejeira fomenta o mercado

Letícia Ginak especial - O Estado de S.Paulo

20/12/2017 | 12h02    

Cursos, festivais e estilos de cervejas para todos os paladares auxiliam no fortalecimento do setor e aumentam o consumo

Festival Brasileiro da Cerveja, que acontece em Blumenau, Santa Catarina. Foto: Fernando Sciarra/Estadão 

Festival Brasileiro da Cerveja, que acontece em Blumenau, Santa Catarina. Foto: Fernando Sciarra/Estadão  Foto: Fernando Sciarra

O aumento do consumo das cervejas artesanais tem como pano de fundo alguns incentivos que atuam direta ou indiretamente no mercado. Cursos introdutórios ou profissionalizantes, festivais temáticos e o aumento de cervejarias ciganas (marcas pequenas) estão entre as formas de disseminação da cultura cervejeira, fazendo com que o assunto saia do circuito fechado de especialistas e beer geeks

O Instituto da Cerveja, que iniciou suas atividades em 2010, forma anualmente 1.300 profissionais. A instituição oferece desde cursos introdutórios até a formação em Tecnologia Cervejeira, capacitando o aluno a trabalhar em pequenas, médias e grandes cervejarias. 

“No início, as turmas eram basicamente compostas por blogueiros, cervejeiros caseiros e pessoas que estavam envolvidas nesse universo por hobby. Percebemos a mudança de perfil. Existem mais pessoas que realmente querem trabalhar com isso”, conta a sócia-fundadora Kathia Zanatta. 

:: Cresce a produção de cerveja artesanal ::

A formação em Sommelier de Cervejas é uma das mais procurados na instituição, que a oferece em diversas capitais do Brasil. Os profissionais atuam no serviço ao consumidor, auxiliando e incentivando novas experiências em bares, restaurantes e eventos, aumentando o consumo de rótulos artesanais.

“É um mercado que está mais viável a cada dia. Por mais que não tenham se arriscado, as pessoas já comentam a respeito ou já ouviram falar de cerveja artesanal”, completa Kathia.  

Festivais. Os festivais de cerveja se espalham cada vez mais pelo País. Eles reúnem em um mesmo espaço profissionais, apreciadores assíduos e novatos.

O maior deles é o Festival Brasileiro da Cerveja, que acontece anualmente em Blumenau, Santa Catarina. “É o festival mais barato para as microcervejarias. Cobramos em média R$ 3 mil o ponto. Ou seja, uma empresa de pequeno porte que produz 10 mil litros de chope por mês vai ter as mesmas condições de aparecer do que uma empresa que fabrica 500 mil litros, por exemplo”, explica o presidente da Vila Germânica e responsável pela organização do festival Ricardo Stodieck. 

Dentro do evento ainda acontecem um concurso e a Feira da Cerveja. A competição tem um corpo de jurados formado por especialistas nacionais e internacionais, o que gera visibilidade aos participantes. O evento também aproxima fornecedores de equipamentos e insumos de pequenos cervejeiros.  

Ciganos. Com rótulos criativos e repletos de informação sensorial, as cervejarias ciganas explodem a cada ano no segmento com receitas que atendem à diferentes paladares. 

Oficialmente desde 2013 com rótulos no mercado, a Urbana é uma delas. E o amadurecimento do setor impulsionou a marca a se reinventar no final do ano passado.

“Hoje a gente trabalha com dois selos. O Urbana, que é a nossa linha de combate, e o Urbana Lab, que são as cervejas mais elaboradas”, conta o sócio-fundador André Leme Cancegliero. 

A reformulação contou com a ajuda de uma aceleradora de microcervejarias, a Bier Hub. “Eles nos ajudaram a aumentar o volume, diminuir custos e assim tornar o negócio cada vez mais viável”, explica